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Novidade nos Calçadões

Outubro 4, 2007 · Deixe um comentário

Cecília Rizo e Manoela Passos, ambas de 19 anos, moram em Buenos Aires e visitam o Rio pela segunda vez.  Ao chegar, se depararam com uma grande mudança na praia de Copacabana, seu local preferido: verdadeiros restaurantes à beira-mar. Enquanto tomam um milk-shake no novo quiosque do Bob’s, admiram a bela paisagem, que as fez escolher Rio como destino de viagem. “Gostamos muito desses novos quiosques aqui na praia, mesmo quando faz frio podemos vir comer uma boa refeição em pela praia de Copabana”, diz Cecília.

Alvo de discussões, reclamações, admirações e até protestos, os novos quiosques da orla do Rio dão o que falar. Iniciadas as obras em outubro de 2006, o projeto de construção de 22 quiosques entre o Leme e o posto 6 causou rebuliço no bairro. Montanhas de areia e terra, barulho e tapumes invadiram o calçadão, atrapalhando a usual caminhada. Muitos ainda não se conformam com a mudança. “Moro aqui há 42 anos, venho quase todas as manhãs fazer a minha caminhada e não me conformo com esses ‘quiosques do futuro’. Preferia os antigos, já conhecia o pessoal e comprava água de coco por R$1,50, agora custa R$3,00!”, diz a moradora Heloísa Albuquerque, de 61 anos.

Em novembro de 2006 proprietários e moradores realizaram um abraço simbólico em defesa dos antigos quiosques, no Posto 4. Cerca de 100 pessoas compareceram com faixas e bandeiras pretas ao protesto contra a modernização dos quiosques. Muitos acham que o projeto Orla Legal, além de tirar empregos, acabaria com o visual tradicional da praia. No entanto, com os quiosques construídos até agora foram gerados 252 empregos.

Entretanto, há muita gente feliz com o novo projeto. O dono de dois quiosques antigos, Baltazar Francisco Júnior, conhecido pelo “Quiosque do Júnior” é o próximo a ter a propriedade modernizada e não teme: “A Orla Rio fez um contrato com todos os proprietários, eu acho ótimo. Vai dar uma nova cara à praia.” De acordo com Júnior, o novo quiosque poderá ser explorado pelo próprio dono como ele desejar, com uma marca já existente como Bob’s e McDonalds, através de um acordo, ou poderá ser como antes, vendendo água-de-coco e salgadinho, desde que se disponha de recursos para isso. “Depende do que o dono quer fazer, e se não tiver recursos para transformá-lo numa nova loja poderá vender para outro que queira explorar. Há espaço para todos.”

A gerente do quiosque Viena, Matilde Costa, fala da inovação da abertura do restaurante na praia: “No caso do Viena, foi a primeira franquia aberta fora de um shopping. Foi uma mudança radical. O clima fica bem mais descontraído, até mesmo para os funcionários.” Todos os novos quiosques contam com uma área de 220m2, banheiros, lixeira e cozinha subterrâneos. “Graças à cozinha que temos lá embaixo, damos conta de fazer todos os pratos que têm no restaurante. A comida sobe pelo elevador e é como se estivéssemos no shopping, é uma super-estrutura”.

A maioria do público que freqüenta os quiosques novos é turista. “Essa é uma grande diferença para os shoppings. Aqui na praia estamos mais expostos, tem muita gente oferecendo coisas, grupos de pagode, tudo para explorar os turistas. Os cariocas não gostam muito disso, o que atrapalha o movimento. Estamos ainda numa fase de teste, quando chegar o verão é que veremos o resultado real”, diz Matilde, otimista.

Tanto Matilde quanto Júnior acreditam que esse é um período de adaptação, e que os cariocas ainda não se acostumaram. Mas uma vez adaptados, os quiosques serão vistos como os antigos: parte da paisagem da praia mais bonita do mundo.

Categorias: Texto por Karen Eluani · Urbanização