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“Casa” um filme em construção

Novembro 29, 2007 · Deixe um comentário

Alice Ferreira, Lívia Silva e Ricardo Pereira são alunos do terceiro período de cinema da Uff. Eles pretendem esse ano filmar um curta em Copacabana. É claro que o bairro já foi cenário e personagem em incontáveis filmes, seja curtas ou longas. Mas a peculiaridade do filme, “Casa”, está nos personagens e a relação distinta que cada um estabelece com o local onde vive: Copacabana.

Blog: Como que é a história do filme?

Alice: São dez personagens, não por acaso as iniciais de cada um formam a palavra Copacabana. E cada um tem uma história, uma vida, uma rotina, mas cada um distintamente estabelece uma relação com o bairro de Copacabana, local onde moram.

Blog: Você pode dizer os nomes dos personagens?

Alice: Posso. Vou falar na ordem que aparecem. Carolina, vendedora de mate na praia. Otaviana, a velhinha. Patrícia, a patricinha. Antonio, o malandro. Carlito, o travesti. Andréia, a prostituta. Bruno, o adolescente romântico. Álvaro o dono do bar. Nelson, o dono do albergue. E Agatha, a criança.

Blog: Você poderia dar exemplos dessas relações?

Alice: Tem a menina, Patricia, que é rica mora de frente para a praia, mas o grande desejo dela é morar em Ipanema. O tempo todo ela vive esse conflito, mente e diz que mora na Vieira Souto e por ai vai. Por outro lado, existe Bruno, também um adolescente que acaba de se mudar para Copacabana e adora, fica empolgado com tudo que o bairro oferece. Tem também a prostituta Andréia e o travesti Carlito, eles não se conhecem, mas ambos fazem programa e moram em Copa. A relação com bairro é conflituosa. E muito outros.

Blog: Qual a justificativa da escolha do bairro?

Alice: A justificativa é bem simples Copacabana é um bairro de múltiplas personalidades. Lá é possível encontrar sentadas na mesma mesa de bar pessoas de diversos tipos, idade, sexo, profissão e etc. E foi por essas múltiplas faces que escolhemos o bairro como cenário e personagem principal.

Blog: O que você acredita que é o diferente desse curta?

Alice: Não sei se é muito diferente, mas ele é especial porque mostra as relações mais variadas não entre pessoas como estamos habituados e sim entre o indivíduo e seu lar. No curta o sentimento de pertencimento está em questão o tempo todo.

Blog: Qual a personagem que você mais se apegou?

Alice: É difícil dizer, mas eu gosto muito da senhora viúva que faz mil e uma atividades só para não voltar pra casa e se sentir sozinha. Também gosto do dono do albergue que faz caras e bocas para atender os gringos.

Blog: O curta aborda questões da realidade bairro, como terceira idade, turismo, prostituição, drogas, praia entre outras. Como isso é feito?

Alice: Isso é expresso em cada personagem. E como o bairro acaba virando o décimo primeiro personagem, ele reúne todas essas características de maneira critica. Afinal nem tudo é bossa de Tom Jobim em Copacabana. Apesar do cantor ser reverenciado no curta no personagem de Antonio.

Blog: Qual a previsão de estréia?

Alice: É complicado porque nem começamos a filmar. Mas acredito que pro meio do ano que vem as pessoas vão poder ver o nosso curta nas telonas.

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Um Bob de Copa

Novembro 23, 2007 · Deixe um comentário

O nome é Milton Antunes, mas entre os amigos é conhecido por Bob, a barba por fazer e os longos dreads no cabelo justificam o apelido inspirado no cantor Bob Marley

Morador do Vidigal, há cinco anos ficou desempregado e resolveu se dedicar ao artesanato. Ele e a mulher, Ana Alice, investiram todas as economias em peças e começaram a criar brincos, colares e pulseiras.

No primeiro dia, nervoso, foi andando de sua casa até a praia de Copacabana e lá expôs a mercadoria na canga. Em cerca de duas horas tinha vendido tudo. A partir desse dia, Bob faz o mesmo trajeto a pé, até o mesmo ponto, em frente ao Copacabana Palace. Ele garante que o dia que mudou de lugar vendeu menos. A escolha pelo local de venda foi ao acaso, mas Bob afirma que Copacabana é o melhor bairro, porque as pessoas têm dinheiro e gostam dos seus artesanatos.

Pai de três filhos, Ana de 12, Richard de dez e Alice de três, se diferencia pela simpatia e bons conselhos sobre como manter os dreads – tranças feitas com cola. Não demora muito e duas holandesas de bochechas rosadas aparecem para olhar suas mercadorias. E mesmo sem falar um “the book is on the table”, Bob vende quatro pares de brincos e três colares.

O tempo é consultado diariamente através da televisão de 14 polegadas e, se não chove, lá está Bob de 10h às 18h com seu sorriso e bom humor. É claro que às vezes é preciso juntar tudo e sair correndo, seja pela chuva repentina ou pelos policiais, que segundo Bob poderiam ser mais respeitosos. Homem de trinta anos, Milton Antunes acredita que a desigualdade é o grande mal da modernidade. Ele, que nem ensino médio tem, vê a educação como solução do mundo.

Bob conta que um dia, sábado, estava na praia com seus três filhos e a esposa – afinal, fim de semana é dia de toda a família ajudar nas vendas – e de repente precisou sair correndo por causa dos policiais. Alice, que na época tinha dois anos, acabou dentro da sacola com as bijuterias. Após toda a confusão, a procura pela menina durou um certo tempo, até que ela se sacudiu dentro da grande mala. A história que hoje é contada aos risos foi motivo de desespero na época.

Bob mais um vendedor ambulante entre os 200 mil espalhados pelo Rio de Janeiro, apenas tentando sobreviver e ganhar seu dinheiro. A diferença é que faz isso no meio dos idosos, dos gringos, dos jovens bem ali no mar de ondas do calçadão em Copacabana.

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“Não seria tão feliz senão estivesse em Copacabana”

Novembro 23, 2007 · Deixe um comentário

Dona Amélia, 85 anos, é mãe de sete filhas e avó de 15 netas. Morou na Tijuca, na rua Conde de Bonfim nº590 a vida toda, mas há cinco anos resolveu realizar um antigo sonho e recomeçar a vida em uma das 82.239 residências de Copacabana. Moradora do número 365 da rua Santa Clara, depois de ficar viúva Dona Amélia juntou-se aos 37 mil idosos do bairro, que correspondem a 25% do total de moradores de Copacabana. “Eu passeio e me ocupo o tempo todo”, conta ela nessa entrevista.

Blog: Porque se mudar para Copacabana?

Amélia : Na verdade eu sempre quis morar em Copacabana. Na minha adolescência Copacabana era o máximo, tudo que acontecia na cidade, acontecia em Copacabana. Mas eu casei e meu marido não gostava porque dizia que era lugar de vida fácil. Agora ele morreu e minhas filhas me convenceram de realizar esse antigo sonho. E eu estou gostando.

Blog: O que a senhora acha que mudou da Copacabana da sua adolescência para a Copacabana de hoje?

Amélia: A violência, antigamente não era tão violento. É mais cheio também. Mas continua sendo um lugar maravilhoso, com vida diurna e noturna para todas as idades.

Blog: O que a senhora mais gosta em Copacabana?

Amélia: Bom, isso é difícil. Eu gosto de tudo. Do clima, da brisa, dos vizinhos, das amigas, dos jovens, da praia. Eu passeio e me ocupo o tempo todo. Não paro (risos).

Blog: A senhora acha que a prostituição prejudica a vida dos moradores?

Amélia: As mocinhas estão fazendo o trabalho delas. Quem sou eu para dar palpite.

Blog: E a questão dos moradores de rua?

Amélia: É um problema porque tem muitos assaltos, mas eles não me incomodam não. O problema é que as pessoas querem esconder aquilo que incomoda a elas, ao invés de tentar resolver. Só porque Copacabana é um dos cartões postais do Rio não significa que não tenha problemas a serem resolvidos.

Blog: O que é diferente aqui em Copacabana?

Amélia: Pra começar tem praia. (risos). Todo dia eu acordo 6h tomo café da manhã, e saio, vou caminhar na praia. E ando, ando, às vezes até encontro uns famosos. (risos) Quando que na Tijuca isso acontecia? Também eu tinha aquela filharada toda, era difícil ter tempo pra mim. Aqui eu saio despreocupada, encontro minhas amigas e ocupo a mente, senão a gente fica maluca (risos).

Blog: O que mudou na sua rotina nesses cinco anos?

Amélia: Bom, hoje em dia eu faço ginástica, participo de grupos de receitas. Já fiz curso de culinária, maquiagem, costura, pintura, tudo para terceira idade e aqui em Copacabana. Fiz novas amizades que me ajudaram a me recuperar da morte do meu marido.

Blog: Copacabana é conhecida como a capital da terceira idade, a senhora concorda?

Amélia: Bom se é da terceira não sei, mas serve muito bem a mim que já estou na quarta. (risos). Eu não seria tão feliz nesses últimos anos senão estivesse em Copacabana, isso eu tenho certeza.

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A Bossa e a Copa

Novembro 23, 2007 · Deixe um comentário

Apesar de a garota ser de Ipanema, foi em Copacabana que tudo começou. Fruto de freqüentes encontros no apartamento de Nara Leão, na Avenida Atlântica em Copacabana, o grupo, do qual participavam Billy Blanco, Carlos Lyra, Roberto Menescal, Sérgio Ricardo, João Gilberto, Ronaldo Bôscoli, entre outros, se reunia para cantar, criar e ouvir músicas. E assim, em 1958, surgiu o movimento da Bossa Nova.

Nomes como Tom Jobim, Vinícius de Moraes, João Gilberto, Nara Leão, e as músicas Chega de Saudade, Bim Bom, Garota de Ipanema e Desafinado entraram para a história do mundo, da cidade e de Copacabana.

Depois do Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan) declarar o samba carioca como Patrimônio Cultural do Brasil, esse ano, foi a vez da prefeitura do Rio premiar a cidade com a Bossa Nova. Além de um famoso repertório, na última terça-feira, 16 de outubro, o gênero musical se tornou oficialmente Patrimônio Cultural da cidade do Rio de Janeiro.

No bairro, entre os edifícios de números 21 e 37, na rua Duvivier, um certo conjunto de casas noturnas conhecido como o Beco das Garrafas era o palco dos cantores da Bossa Nova. Inauguradas na década de 1950, as casas do Beco viveram seus dias de glória entre os anos de 1958 e 1965, época essa que ficou conhecido como “Templo da Bossa Nova”. Teve a honra de receber muitos músicos, entre eles: Sergio Mendes, Luiz Eça, Luís Carlos Vinhas, Nara Leão, Elis Regina e Jorge Ben.

O nome, “Beco das Garrafas”, foi dado por Sérgio Porto devido às garrafas arremessadas pelos moradores vizinhos que reclamavam do barulho. Hoje em dia o lugar possui algumas lojinhas e prestadores de serviços. Mas para dona Arlinda Pinto ele é muito mais que isso, é um local de trazer a tona suas lembranças de grandes noites vividas ali.

Nascida e criada em Copacabana, a senhora de 72 anos consegue reviver com saudades as noites que passava no Beco. “O clima era ótimo, todos dançavam, cantavam muito, uma verdadeira boemia”, conta Arlinda. Moça de família, como ela mesma faz questão de enfatizar, confessa que, para ir ao Beco ver os meninos da bossa, valia a pena dar umas escapadas. “Papai não entendia, achava que era coisa de moça perdida, mas eu ia escondida, falava que ia estudar com umas amigas e lá ia eu.”

            Para Arlinda o movimento tem a cara de Copacabana, não só por ser o berço da bossa, mas também por ter o gingado das composições. “É impossível falar de Bossa e não falar de Copacabana, o lindo calçadão é cenário para todas as músicas.”, diz.

            Em relação aos dias de hoje a saudosa senhora termina fazendo uma brincadeira com a música de Tom Jobim, Chega de Saudade.

            -  Mas se ela voltar, se ela voltar, que coisa linda, que coisa louca.

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Modern Sound o paraíso musical de Copacabana

Outubro 11, 2007 · Deixe um comentário

Em Copacabana, na rua Barata Ribeiro número 502, Pedro Otavio Tibau (filho), de 35 anos, toca seu negócio com muito amor e orgulho. A famosa loja Modern Sound – Mega Music Store foi herança de seu pai. Voltada para as classes A e B, ela foi fundada em 1966 no mesmo local que funciona hoje. “Década de 60 Copacabana era um grande centro cultural, era chic. E ainda é, por isso continuamos aqui. Sem contar que já virou referência para os clientes, todos sabem onde fica”, diz Paulo.

Por outro lado a loja sofreu algumas modificações ao longo dos seus 41 anos. Hoje ela tem 60 funcionários e 1800 metros quadrados, o triplo do tamanho inicial. Há seis anos, ganhou o Bistrô Allegro, um espaço que une gastronomia e música ao vivo. Segundo Pedro inicialmente a idéia do Bistrô era uma forma de fazer o cliente permanecer mais tempo dentro da loja, mas o local acabou se tornando um atrativo a mais. E até ele com o sucesso teve sua própria expansão de cinco mesas iniciais para 45 hoje em dia. Muitas pessoas vão até lá só para freqüentar o Bistrô, como a dona de casa Anita Moura, de 55 anos, cliente a dois, “Depois que descobri isso aqui, não saio mais daqui de dentro. Eu simplesmente adoro. Venho pelo menos duas vezes na semana, tomar um chá, ouvir música e aproveito para ler um livro”, diz.

As mudanças não ficaram só na estrutura física, há oito anos o site www.modernsound.com.br foi criado, uma iniciativa para facilitar as compras, possibilitar que pessoas de  outros lugares pudessem ter acesso aos produtos e claro, estar presente na era digital. No entanto o formato do site é o mesmo desde sua inauguração, “É mais fácil das pessoas acharem as coisas” justifica Pedro.

O que diferencia a Modern Sound das outras lojas vai além do grande e raro estoque de produtos, que vão desde cds, dvds e livros (importados e nacionais), a pôsteres, equipamentos de som e vídeo, acessórios como cabos e plugues, entre outros. A especialização de seus vendedores, que ao todo somam quinze, é um outro fator importante. “É incrível eles são profundo conhecedores de música, literatura e filmes. Isso é ótimo porque situa o cliente, eles não ficam com cara de interrogação quando você pede um cd do Joe Lovano, por exemplo, eles vão lá e pegam”, diz o economista Roberto Alencar, de 30 anos. Além disso, uma bilheteria de ingressos localizada na entrada, que cobre 95% dos eventos da cidade do Rio de Janeiro. Se tudo isso não bastasse, Pedro criou um sistema, que possibilita o cliente fazer um projeto exclusivo para seu Home-Theater, com auxilio dos vendedores.

Aparentemente nada parece abalar o sucesso da loja, nem mesmo a pirataria que já fechou portas de muitas gravadoras e lojas de discos. A justificativa de Pedro se resume em apenas um elemento: “eles não vendem o que nós vendemos, e vice e versa”diz.

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Cinema na Areia

Setembro 27, 2007 · Deixe um comentário

Na areia da praia, um telão, no lugar de poltronas, cadeiras e banquinhos. O nome disso, cinema na areia. Em frente ao hotel Copacabana Palace, a praia vira um cinema ao ar livre essa época, quando acontece o Festival do Rio. Desde quando surgiu, em 1999, é um sucesso. Esse ano, o evento reúne 400 filmes de diversos países e é exibido por 25 cinemas da cidade. Copacabana não poderia ficar de fora.

A iniciativa é um sucesso. Na sexta-feira, dia 21, às 19h, os documentários Onde a coruja dorme, de Márcia Derrik e Simplício Neto, e Edu Lobo – Vento brabo, de Regina Zappa e Beatriz Thielman, abriram o festival na praia.

O fato de ser de graça facilita para muitos. Carla Silva, moradora de Madureira, mãe de três filhos, investiu R$ 12,00 em passagem de ônibus para ir ao cinema de graça. “Se eu fosse ao cinema ia gastar uma fortuna, afinal são três crianças”, diz a espectadora que levou a família toda para Copacabana. Quem acha que economia é o motivo principal e, por isso, a maioria do público é de baixa renda, está muito enganado. O cinema de areia não tem idade, sexo, muito menos classe social. Dona Maria Linhares, de 78 anos, moradora da Viera Souto, em Ipanema, estava lá para comprovar. “Eu venho todo ano e enquanto estiver viva continuarei vindo, é um espetáculo”. Carla e dona Maria vivem realidades completamente diferentes, mas nessa época dividem a areia lado a lado para apreciar a arte.

O cinema na areia já virou tradição para Ana Cunha, 20 anos: “Venho sempre, adoro. É muito gostoso assistir filme na areia, o som das ondas no fundo, é ótimo”. Estudante do 4º período de cinema da UFF, otimista, Ana acredita que essa é uma boa forma de controlar a pirataria dos filmes:

- A partir do momento que você exibe os filmes, na praia e de graça, para que as pessoas vão comprar o pirata? Preciso pensar no meu futuro, não posso me convencer que a indústria do cinema vai acabar. É a minha geração que precisa encontrar a solução.

A esperança de Ana e dos futuros cineastas é o sucesso de público. Só no primeiro dia havia mais de 200 pessoas na areia, segundo cálculo da Polícia Militar.

Mas não é só de tradição que sobrevive o festival. Ulisses Faria, de 7 anos, vive o seu primeiro. Encantado com o enorme telão no meio da areia, ele sai de lá fazendo planos para seu futuro:

- Quero fazer filme, assim para um montão de gente, sonha o menino.

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Copacabana, o lar da Terceira Idade

Setembro 13, 2007 · Deixe um comentário

A cidade do Rio de Janeiro, conhecida mundialmente pelas suas belezas naturais, recebe uma nova característica: a capital brasileira preferida das pessoas da Terceira Idade. Cerca de 13% da população tem mais de 60 anos. E Copacabana é o local carioca com a maior concentração de moradores nesta faixa etária: os índices ultrapassam 25%, segundo dados do Instituto Pereira Passos. Com esses números, o bairro se tornou base de muitos estudos nacionais e internacionais para a melhoria da condição de vida dos idosos na metrópole.

Ao andar por Copacabana é possível perceber o impacto que esses 25% da população causa. As transformações englobam todos os aspectos do bairro, principalmente no comércio. Os funcionários do salão de beleza Werner Coiffeur afirmam que são treinados de maneira diferente para atender o estabelecimento de Copacabana. “Somos avisados de que é preciso ter mais paciência por causa da quantidade de velhinhas e certamente tem que ter muito mais esmalte “rosinha”, que elas adoram”, diz a manicura Isabel Santos.

O número de farmácias, casas de saúde e consultórios médicos aumentaram. Algumas farmácias, devido à enorme concorrência, adotam como diferencial desde descontos em remédios à organização de passeios culturais. “Eu adoro, sempre participo com minha amigas. Já fomos ao Cristo Redentor, ao show da Maria Bethânia e muitos outros”, comenta dona Rosa Machado, 75 anos, moradora do bairro há 50.  

O surgimento de atividades voltadas para pessoas acima de 60 anos também é crescente. O bairro tem associações da Terceira Idade, grupos de encontros, yoga, aulas de danças, ginásticas, cursos de corte e costura, tudo para atrair e tornar a vida do idoso mais agradável. 

 No entanto, essas transformações são posteriores ao grande número de idosos residentes. A questão então é saber como chegamos a esse percentual tão elevado. Isso pode ser respondido com uma breve análise na história. Na década de 1950, início de 1960, não era possível falar de Rio de Janeiro sem mencionar Copacabana. O bairro tinha as principais boates, as inesquecíveis festas no Copacabana Palace, a bossa nova e outros inúmeros fatores que chamavam atenção da juventude. E são esses jovens os idosos de hoje, que, em sua grande maioria, nunca saíram de Copacabana. 

Rosa foi uma dessas jovens. “Eu morava na Tijuca com meus pais, mas amava Copacabana. Os bailes, a praia, as músicas, os artistas, tudo era mágico. Então quando eu casei tratei logo de me mudar para cá. E daqui eu não saio nem por um decreto”.  

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