Alice Ferreira, Lívia Silva e Ricardo Pereira são alunos do terceiro período de cinema da Uff. Eles pretendem esse ano filmar um curta em Copacabana. É claro que o bairro já foi cenário e personagem em incontáveis filmes, seja curtas ou longas. Mas a peculiaridade do filme, “Casa”, está nos personagens e a relação distinta que cada um estabelece com o local onde vive: Copacabana.
Blog: Como que é a história do filme?
Alice: São dez personagens, não por acaso as iniciais de cada um formam a palavra Copacabana. E cada um tem uma história, uma vida, uma rotina, mas cada um distintamente estabelece uma relação com o bairro de Copacabana, local onde moram.
Blog: Você pode dizer os nomes dos personagens?
Alice: Posso. Vou falar na ordem que aparecem. Carolina, vendedora de mate na praia. Otaviana, a velhinha. Patrícia, a patricinha. Antonio, o malandro. Carlito, o travesti. Andréia, a prostituta. Bruno, o adolescente romântico. Álvaro o dono do bar. Nelson, o dono do albergue. E Agatha, a criança.
Blog: Você poderia dar exemplos dessas relações?
Alice: Tem a menina, Patricia, que é rica mora de frente para a praia, mas o grande desejo dela é morar em Ipanema. O tempo todo ela vive esse conflito, mente e diz que mora na Vieira Souto e por ai vai. Por outro lado, existe Bruno, também um adolescente que acaba de se mudar para Copacabana e adora, fica empolgado com tudo que o bairro oferece. Tem também a prostituta Andréia e o travesti Carlito, eles não se conhecem, mas ambos fazem programa e moram em Copa. A relação com bairro é conflituosa. E muito outros.
Blog: Qual a justificativa da escolha do bairro?
Alice: A justificativa é bem simples Copacabana é um bairro de múltiplas personalidades. Lá é possível encontrar sentadas na mesma mesa de bar pessoas de diversos tipos, idade, sexo, profissão e etc. E foi por essas múltiplas faces que escolhemos o bairro como cenário e personagem principal.
Blog: O que você acredita que é o diferente desse curta?
Alice: Não sei se é muito diferente, mas ele é especial porque mostra as relações mais variadas não entre pessoas como estamos habituados e sim entre o indivíduo e seu lar. No curta o sentimento de pertencimento está em questão o tempo todo.
Blog: Qual a personagem que você mais se apegou?
Alice: É difícil dizer, mas eu gosto muito da senhora viúva que faz mil e uma atividades só para não voltar pra casa e se sentir sozinha. Também gosto do dono do albergue que faz caras e bocas para atender os gringos.
Blog: O curta aborda questões da realidade bairro, como terceira idade, turismo, prostituição, drogas, praia entre outras. Como isso é feito?
Alice: Isso é expresso em cada personagem. E como o bairro acaba virando o décimo primeiro personagem, ele reúne todas essas características de maneira critica. Afinal nem tudo é bossa de Tom Jobim em Copacabana. Apesar do cantor ser reverenciado no curta no personagem de Antonio.
Blog: Qual a previsão de estréia?
Alice: É complicado porque nem começamos a filmar. Mas acredito que pro meio do ano que vem as pessoas vão poder ver o nosso curta nas telonas.