Cléber Lamas Ferreira foi morador do Humaitá por 37 anos. Lá ele tinha muitos amigos, dentre eles os donos de todos os bares ao redor de sua casa. Sim, Cléber era um daqueles freqüentadores assíduo dos botecos, nos dias de futebol, nos dias de tristeza, nos dias de sol e até em datas comemorativas.
Toda essa felicidade de morar ao lado de uma pizzaria e poder sair por aí de bar em bar pelo Humaitá foi interrompida por novos planos de sua mulher, Marlene. Ela decidiu que queria ir morar em Copacabana. Copacabana?! Aquele lugar onde quem passa na rua é estranho e os mendigos proliferam? Essas foram as perguntas imediastas na cabeça de Cleber.
- E eu lá sou homem de ficar andando no calçadão?
Marlene enfatizava os benefícios do bairro, que foi sua residência quando criança. Falou da praia, da diversidade de estabelecimentos culturais e comerciais, das pessoas novas. E o mais importante de tudo, em Copacabana certamente há muito mais bares do que em qualquer outro bairro da Zona Sul.
Para agravar a situação, eles moravam em uma casa e iriam se mudar para um apartamento. Tudo bem que não havia um jardim, e a garagem estava vazia, pois eles não dirigem mais. Mas Cléber afirmava que a “alegria da vida dele” era abrir o portão quando voltava para casa, depois de uma “geladinha”.Já Marlene não agüentava mais o trabalho de uma casa, em um prédio ela teria o auxílio de porteiros, síndicos e muitos, muitos vizinhos.
Depois de uma semana em um “retiro” para uma reflexão sobre sua mudança, Cléber arrumou sua (deixou claro que era uma só) mala e, contrariado e cabisbaixo, foi rumo à sua nova vida em Copacabana. Morador do 902, hoje ele vê Copacabana do alto. Observa as velhinhas (sem nenhuma má intenção), os cachorros, a correria e até os mendigos. “É uma vista generosa”. Até reencontrou um velho amigo seu, que havia passado pela mesma situação há 11 anos. “Chega nessa idade, as mulheres que mandam na gente. Quer dizer, acho que sempre foi assim” afirma Seu Rodolfo, de 72 anos.
Guiado por Rodolfo, Cléber Ferreira agora é parte de Copacabana, por assim dizer. Nos últimos 7 meses fez muitas amizades, descobriu restaurantes fantásticos, vai uma vez por semana ao Roxy, para ver as novidades do cinema. E quem diria, até anda no calçadão aos Domingos.
0 respostas Até agora ↓
Ainda não há comentários... chute o balde preenchendo o formulário abaixo.