Um bom lugar para encontrar ..

Bom humor e disposição

Novembro 29, 2007 · Deixe um comentário

Josué Almeida, junto com seus três “compadres”, Murilo, Sebastião e “Xico”, formaram há dois anos uma banda de rua, ainda sem nome, que toca pelos bares de Copacabana. Apesar de enfrentar algumas resistências, a música costuma agradar turistas estrangeiros e freqüentadores da movimentada vida noturna do bairro. Nessa entrevista, ele conta qual a receita do grupo para sobreviver na rua.

            Quando vocês começaram a tocar?

- Já tem uns dois anos, mas antes era só eu e Sebastião. O resto foi entrando, e os cinco estão juntos há mais ou menos um ano.

            Como tiveram a idéia de começar uma banda de rua?

- Olha, a gente sempre gostava de cantar, quando se juntava no bar ou na casa de alguém ficava batendo panela e tocando o cavaquinho do meu tio. Aí, começamos a receber elogios do pessoal. Daí em diante, virou o nosso trabalho.

           

            O que vocês faziam antes?

- Dois de nós estávamos desempregados. Eu estava já há oito meses sem emprego. O Xico trabalhava como cobrador de ônibus e o Sebastião era camelô, em Copacabana mesmo. Então ele já conhecia muita gente daqui.

            Dá para ter um bom retorno fazendo música nas ruas?

- Muito dinheiro a gente não ganha não, mas dá para sobreviver. Além disso, não é um trabalho estressante, é divertido.

            Aonde vocês tocam mais?

- Aqui em Copacabana tem o melhor público, a maioria estrangeiros. Alguns brasileiros também ajudam a gente. A gente vai a Ipanema também, mas lá o pessoal é mais arrogante, os bares e restaurantes não gostam muito da nossa presença não. Em Copacabana a gente se sente em casa, os proprietários conhecem a gente, e muitos moradores também.

            Tem muita gente que se incomoda com a presença de vocês?

- Isso sempre tem. Muita gente que não reconhece o nosso trabalho. Estamos cansados de ouvir gente dizendo que estamos arrancando dinheiro dos turistas. Mas isso não tem nada a ver, a música brasileira é um dos nossos cartões-postais, por que então o Pão de Açúcar tem direito de ganhar dinheiro e a gente não? É um trabalho justo como outro qualquer.

            Vocês encontram muita resistência por parte de estabelecimentos comerciais?

- Como eu disse, depende do lugar. Em Copacabana é mais fácil. Os turistas gostam, então os gerentes e donos dos bares não ligam se a gente está lá. Mas tem que ter respeito e bom senso, muitas vezes as pessoas não se sentem à vontade e saímos, sem problema. Agora, a gente também não gosta de ser mal tratado, não estamos mendigando, nos consideramos artistas brasileiros.

            Qual é o segredo do sucesso para essa profissão?

- Acho que é o mesmo pra qualquer outra: bom humor e disposição!

Categorias: Texto por Karen Eluani

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