O nome é Milton Antunes, mas entre os amigos é conhecido por Bob, a barba por fazer e os longos dreads no cabelo justificam o apelido inspirado no cantor Bob Marley
Morador do Vidigal, há cinco anos ficou desempregado e resolveu se dedicar ao artesanato. Ele e a mulher, Ana Alice, investiram todas as economias em peças e começaram a criar brincos, colares e pulseiras.
No primeiro dia, nervoso, foi andando de sua casa até a praia de Copacabana e lá expôs a mercadoria na canga. Em cerca de duas horas tinha vendido tudo. A partir desse dia, Bob faz o mesmo trajeto a pé, até o mesmo ponto, em frente ao Copacabana Palace. Ele garante que o dia que mudou de lugar vendeu menos. A escolha pelo local de venda foi ao acaso, mas Bob afirma que Copacabana é o melhor bairro, porque as pessoas têm dinheiro e gostam dos seus artesanatos.
Pai de três filhos, Ana de 12, Richard de dez e Alice de três, se diferencia pela simpatia e bons conselhos sobre como manter os dreads – tranças feitas com cola. Não demora muito e duas holandesas de bochechas rosadas aparecem para olhar suas mercadorias. E mesmo sem falar um “the book is on the table”, Bob vende quatro pares de brincos e três colares.
O tempo é consultado diariamente através da televisão de 14 polegadas e, se não chove, lá está Bob de 10h às 18h com seu sorriso e bom humor. É claro que às vezes é preciso juntar tudo e sair correndo, seja pela chuva repentina ou pelos policiais, que segundo Bob poderiam ser mais respeitosos. Homem de trinta anos, Milton Antunes acredita que a desigualdade é o grande mal da modernidade. Ele, que nem ensino médio tem, vê a educação como solução do mundo.
Bob conta que um dia, sábado, estava na praia com seus três filhos e a esposa – afinal, fim de semana é dia de toda a família ajudar nas vendas – e de repente precisou sair correndo por causa dos policiais. Alice, que na época tinha dois anos, acabou dentro da sacola com as bijuterias. Após toda a confusão, a procura pela menina durou um certo tempo, até que ela se sacudiu dentro da grande mala. A história que hoje é contada aos risos foi motivo de desespero na época.
Bob mais um vendedor ambulante entre os 200 mil espalhados pelo Rio de Janeiro, apenas tentando sobreviver e ganhar seu dinheiro. A diferença é que faz isso no meio dos idosos, dos gringos, dos jovens bem ali no mar de ondas do calçadão em Copacabana.
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