Um bom lugar para encontrar ..

A Bossa e a Copa

Novembro 23, 2007 · Deixe um comentário

Apesar de a garota ser de Ipanema, foi em Copacabana que tudo começou. Fruto de freqüentes encontros no apartamento de Nara Leão, na Avenida Atlântica em Copacabana, o grupo, do qual participavam Billy Blanco, Carlos Lyra, Roberto Menescal, Sérgio Ricardo, João Gilberto, Ronaldo Bôscoli, entre outros, se reunia para cantar, criar e ouvir músicas. E assim, em 1958, surgiu o movimento da Bossa Nova.

Nomes como Tom Jobim, Vinícius de Moraes, João Gilberto, Nara Leão, e as músicas Chega de Saudade, Bim Bom, Garota de Ipanema e Desafinado entraram para a história do mundo, da cidade e de Copacabana.

Depois do Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan) declarar o samba carioca como Patrimônio Cultural do Brasil, esse ano, foi a vez da prefeitura do Rio premiar a cidade com a Bossa Nova. Além de um famoso repertório, na última terça-feira, 16 de outubro, o gênero musical se tornou oficialmente Patrimônio Cultural da cidade do Rio de Janeiro.

No bairro, entre os edifícios de números 21 e 37, na rua Duvivier, um certo conjunto de casas noturnas conhecido como o Beco das Garrafas era o palco dos cantores da Bossa Nova. Inauguradas na década de 1950, as casas do Beco viveram seus dias de glória entre os anos de 1958 e 1965, época essa que ficou conhecido como “Templo da Bossa Nova”. Teve a honra de receber muitos músicos, entre eles: Sergio Mendes, Luiz Eça, Luís Carlos Vinhas, Nara Leão, Elis Regina e Jorge Ben.

O nome, “Beco das Garrafas”, foi dado por Sérgio Porto devido às garrafas arremessadas pelos moradores vizinhos que reclamavam do barulho. Hoje em dia o lugar possui algumas lojinhas e prestadores de serviços. Mas para dona Arlinda Pinto ele é muito mais que isso, é um local de trazer a tona suas lembranças de grandes noites vividas ali.

Nascida e criada em Copacabana, a senhora de 72 anos consegue reviver com saudades as noites que passava no Beco. “O clima era ótimo, todos dançavam, cantavam muito, uma verdadeira boemia”, conta Arlinda. Moça de família, como ela mesma faz questão de enfatizar, confessa que, para ir ao Beco ver os meninos da bossa, valia a pena dar umas escapadas. “Papai não entendia, achava que era coisa de moça perdida, mas eu ia escondida, falava que ia estudar com umas amigas e lá ia eu.”

            Para Arlinda o movimento tem a cara de Copacabana, não só por ser o berço da bossa, mas também por ter o gingado das composições. “É impossível falar de Bossa e não falar de Copacabana, o lindo calçadão é cenário para todas as músicas.”, diz.

            Em relação aos dias de hoje a saudosa senhora termina fazendo uma brincadeira com a música de Tom Jobim, Chega de Saudade.

            -  Mas se ela voltar, se ela voltar, que coisa linda, que coisa louca.

Categorias: Texto por Joana Medina

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