Dona Amélia, 85 anos, é mãe de sete filhas e avó de 15 netas. Morou na Tijuca, na rua Conde de Bonfim nº590 a vida toda, mas há cinco anos resolveu realizar um antigo sonho e recomeçar a vida em uma das 82.239 residências de Copacabana. Moradora do número 365 da rua Santa Clara, depois de ficar viúva Dona Amélia juntou-se aos 37 mil idosos do bairro, que correspondem a 25% do total de moradores de Copacabana. “Eu passeio e me ocupo o tempo todo”, conta ela nessa entrevista.
Blog: Porque se mudar para Copacabana?
Amélia : Na verdade eu sempre quis morar em Copacabana. Na minha adolescência Copacabana era o máximo, tudo que acontecia na cidade, acontecia em Copacabana. Mas eu casei e meu marido não gostava porque dizia que era lugar de vida fácil. Agora ele morreu e minhas filhas me convenceram de realizar esse antigo sonho. E eu estou gostando.
Blog: O que a senhora acha que mudou da Copacabana da sua adolescência para a Copacabana de hoje?
Amélia: A violência, antigamente não era tão violento. É mais cheio também. Mas continua sendo um lugar maravilhoso, com vida diurna e noturna para todas as idades.
Blog: O que a senhora mais gosta em Copacabana?
Amélia: Bom, isso é difícil. Eu gosto de tudo. Do clima, da brisa, dos vizinhos, das amigas, dos jovens, da praia. Eu passeio e me ocupo o tempo todo. Não paro (risos).
Blog: A senhora acha que a prostituição prejudica a vida dos moradores?
Amélia: As mocinhas estão fazendo o trabalho delas. Quem sou eu para dar palpite.
Blog: E a questão dos moradores de rua?
Amélia: É um problema porque tem muitos assaltos, mas eles não me incomodam não. O problema é que as pessoas querem esconder aquilo que incomoda a elas, ao invés de tentar resolver. Só porque Copacabana é um dos cartões postais do Rio não significa que não tenha problemas a serem resolvidos.
Blog: O que é diferente aqui em Copacabana?
Amélia: Pra começar tem praia. (risos). Todo dia eu acordo 6h tomo café da manhã, e saio, vou caminhar na praia. E ando, ando, às vezes até encontro uns famosos. (risos) Quando que na Tijuca isso acontecia? Também eu tinha aquela filharada toda, era difícil ter tempo pra mim. Aqui eu saio despreocupada, encontro minhas amigas e ocupo a mente, senão a gente fica maluca (risos).
Blog: O que mudou na sua rotina nesses cinco anos?
Amélia: Bom, hoje em dia eu faço ginástica, participo de grupos de receitas. Já fiz curso de culinária, maquiagem, costura, pintura, tudo para terceira idade e aqui em Copacabana. Fiz novas amizades que me ajudaram a me recuperar da morte do meu marido.
Blog: Copacabana é conhecida como a capital da terceira idade, a senhora concorda?
Amélia: Bom se é da terceira não sei, mas serve muito bem a mim que já estou na quarta. (risos). Eu não seria tão feliz nesses últimos anos senão estivesse em Copacabana, isso eu tenho certeza.
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