Um bom lugar para encontrar ..

Entradas do Novembro 2007

Copacabana até a morte

Novembro 29, 2007 · Deixe um comentário

Morador de Copacabana, desde que nasceu o adolescente André Pereira, é um esportista nato. Seu dia é uma maratona: de segunda a sexta, acorda às 5:30 da manhã e vai direto para a praia, no posto 2, e corre até o arpoador. Nos fins de semana faz diferente: nada até o forte de Copacabana e volta. André adora morar em Copacabana.

 

Blog: O quê Copacabana tem de diferente dos outros bairros?

André: Aqui eu tenho tudo o que preciso. A praia eu acho maravilhosa, nunca vou à Ipanema. É bem mais bonito, e é boa para praticar esportes. Encontro pessoas de todos os tipos pelo calçadão.

 

Blog: Copacabana é conhecido como o bairro dos idosos. Como é para um adolescente morar aqui?

André Isso não tem nada a ver. Realmente, tem muitos idosos, inclusive meus avós moram aqui. Mas isso não é um problema para mim, convivo bem com os velhinhos. Sei que é um bom bairro para morarem, assim como é para adolescentes. Eu tenho muita coisa para fazer aqui.

 

Blog: O quê você encontra de entretenimento para jovens aqui?

André: Tem o cinema, muitas boates, a praia, claro, e muitos bares.

 

Blog: Dá tempo de praticar esportes e ainda assim sair à noite?

André: Claro, uma coisa não influencia a outra, se você tiver responsabilidade. Ser adolescente no Rio de Janeiro é isso: de manhã ir à praia e de noite sair com os amigos. Claro que sem exagero.

 

Blog: E ainda tem como conciliar esporte, saídas e estudos?
André: Sim, faço faculdade de Artes Cênicas na Uni-Rio, aqui do lado, na Praia Vermleha. Vou de bicicleta, é ótimo.

 

Blog: Como você descrevia a noite em Copacabana?

André: Eu acho sensacional. Tem de tudo, é bem eclética. De boates underground a barzinhos de rua. Todo mundo vem pra cá. E nas férias, vem muitos estrangeiros.

 

Blog: Você moraria em outro lugar?

André: Não me imagino fora daqui, espero que quando eu for morar sozinho consiga alugar um apartamentinho por perto. Minha vida toda está aqui. Não há nada melhor.

Categorias: Texto por Karen Eluani

Bom humor e disposição

Novembro 29, 2007 · Deixe um comentário

Josué Almeida, junto com seus três “compadres”, Murilo, Sebastião e “Xico”, formaram há dois anos uma banda de rua, ainda sem nome, que toca pelos bares de Copacabana. Apesar de enfrentar algumas resistências, a música costuma agradar turistas estrangeiros e freqüentadores da movimentada vida noturna do bairro. Nessa entrevista, ele conta qual a receita do grupo para sobreviver na rua.

            Quando vocês começaram a tocar?

- Já tem uns dois anos, mas antes era só eu e Sebastião. O resto foi entrando, e os cinco estão juntos há mais ou menos um ano.

            Como tiveram a idéia de começar uma banda de rua?

- Olha, a gente sempre gostava de cantar, quando se juntava no bar ou na casa de alguém ficava batendo panela e tocando o cavaquinho do meu tio. Aí, começamos a receber elogios do pessoal. Daí em diante, virou o nosso trabalho.

           

            O que vocês faziam antes?

- Dois de nós estávamos desempregados. Eu estava já há oito meses sem emprego. O Xico trabalhava como cobrador de ônibus e o Sebastião era camelô, em Copacabana mesmo. Então ele já conhecia muita gente daqui.

            Dá para ter um bom retorno fazendo música nas ruas?

- Muito dinheiro a gente não ganha não, mas dá para sobreviver. Além disso, não é um trabalho estressante, é divertido.

            Aonde vocês tocam mais?

- Aqui em Copacabana tem o melhor público, a maioria estrangeiros. Alguns brasileiros também ajudam a gente. A gente vai a Ipanema também, mas lá o pessoal é mais arrogante, os bares e restaurantes não gostam muito da nossa presença não. Em Copacabana a gente se sente em casa, os proprietários conhecem a gente, e muitos moradores também.

            Tem muita gente que se incomoda com a presença de vocês?

- Isso sempre tem. Muita gente que não reconhece o nosso trabalho. Estamos cansados de ouvir gente dizendo que estamos arrancando dinheiro dos turistas. Mas isso não tem nada a ver, a música brasileira é um dos nossos cartões-postais, por que então o Pão de Açúcar tem direito de ganhar dinheiro e a gente não? É um trabalho justo como outro qualquer.

            Vocês encontram muita resistência por parte de estabelecimentos comerciais?

- Como eu disse, depende do lugar. Em Copacabana é mais fácil. Os turistas gostam, então os gerentes e donos dos bares não ligam se a gente está lá. Mas tem que ter respeito e bom senso, muitas vezes as pessoas não se sentem à vontade e saímos, sem problema. Agora, a gente também não gosta de ser mal tratado, não estamos mendigando, nos consideramos artistas brasileiros.

            Qual é o segredo do sucesso para essa profissão?

- Acho que é o mesmo pra qualquer outra: bom humor e disposição!

Categorias: Texto por Karen Eluani

De bar em bar

Novembro 29, 2007 · Deixe um comentário

Cléber Lamas Ferreira foi morador do Humaitá por 37 anos. Lá ele tinha muitos amigos, dentre eles os donos de todos os bares ao redor de sua casa. Sim, Cléber era um daqueles freqüentadores assíduo dos botecos, nos dias de futebol, nos dias de tristeza, nos dias de sol e até em datas comemorativas.

            Toda essa felicidade de morar ao lado de uma pizzaria e poder sair por aí de bar em bar pelo Humaitá foi interrompida por novos planos de sua mulher, Marlene. Ela decidiu que queria ir morar em Copacabana. Copacabana?! Aquele lugar onde quem passa na rua é estranho e os mendigos proliferam? Essas foram as perguntas imediastas na cabeça de Cleber.

            - E eu lá sou homem de ficar andando no calçadão?

            Marlene enfatizava os benefícios do bairro, que foi sua residência quando criança. Falou da praia, da diversidade de estabelecimentos culturais e comerciais, das pessoas novas. E o mais importante de tudo, em Copacabana certamente há muito mais bares do que em qualquer outro bairro da Zona Sul.

            Para agravar a situação, eles moravam em uma casa e iriam se mudar para um apartamento. Tudo bem que não havia um jardim, e a garagem estava vazia, pois eles não dirigem mais. Mas Cléber afirmava que a “alegria da vida dele” era abrir o portão quando voltava para casa, depois de uma “geladinha”.Já Marlene não agüentava mais o trabalho de uma casa, em um prédio ela teria o auxílio de porteiros, síndicos e muitos, muitos vizinhos.

            Depois de uma semana em um “retiro” para uma reflexão sobre sua mudança, Cléber arrumou sua (deixou claro que era uma só) mala e, contrariado e cabisbaixo, foi rumo à sua nova vida em Copacabana. Morador do 902, hoje ele vê Copacabana do alto.    Observa as velhinhas (sem nenhuma má intenção), os cachorros, a correria e até os mendigos. “É uma vista generosa”. Até reencontrou um velho amigo seu, que havia passado pela mesma situação há 11 anos. “Chega nessa idade, as mulheres que mandam na gente. Quer dizer, acho que sempre foi assim” afirma Seu Rodolfo, de 72 anos.

            Guiado por Rodolfo, Cléber Ferreira agora é parte de Copacabana, por assim dizer. Nos últimos 7 meses fez muitas amizades, descobriu restaurantes fantásticos, vai uma vez por semana ao Roxy, para ver as novidades do cinema. E quem diria, até anda no calçadão aos Domingos.

Categorias: Texto por Karen Eluani

Copacabana, um arco íris em plena praia

Novembro 29, 2007 · Deixe um comentário

Copacabana ontem era só alegria. Verde, azul, vermelho, amarelo e as outras cores do arco-íris enfeitavam a orla, em um total de 12 carros alegóricos que celebravam a XII Parada do Orgulho Gay, ou do Orgulho GLBT (gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais). Aproximadamente 1,2 milhões de pessoas estiveram presentes, de acordo com a ONG Grupo Arco-Íris de Conscientização Homossexual, organizadora do evento. No entanto, a polícia não confirmou o número de participantes.

Aguardando a chegada do governador Sérgio Cabral, a Parada começou com duas horas de atraso, tendo sido prevista para ter início às 13h. O governador, acompanhado de sua mulher, fez seu discurso sobre a diversidade sexual no carro abre-alas. Mesmo não tendo ficado muito tempo no evento, sua presença representou um marco: foi a primeira vez que um governador de estado compareceu a uma Parada Gay. Em seu discurso, se referiu a Copacabana como o “bairro mais plural do Rio”.

Pela primeira vez também a Parada ocorre com forte apoio financeiro. A Petrobrás, Ministérios da Cultura e do Turismo e a Prefeitura do Rio reservaram R$ 600 mil ao evento, valor superado apenas pela Parada de São Paulo.

A Parada Gay no Rio de Janeiro é realizada anualmente em Copacabana e é a segunda maior do país, perdendo para a de São Paulo, a maior do mundo, que este ano contou com 3,5 milhões de pessoas. Há inclusive uma banalização do evento no Rio, que é considerado por muitos uma muvuca de carnaval, em comparação com a politização que a parada é vista em São Paulo. No entanto, os coordenadores do evento garantem que querem mudar essa visão, fazendo com que a passeata fique mais reivindicativa, visando combater o preconceito contra os homossexuais.

A ABGLT (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Travestis e Transexuais), fundada em 1995, promove a e-campanha pelo Projeto de Lei da Câmara 122/2006 que define os crimes resultantes de discriminação, inclusive discriminação por orientação sexual e identidade de gênero. A parada portava a bandeira da criminalização da homofobia. “É um absurdo que pessoas que discriminam os homossexuais, muitas vezes com atos violentos, saiam impunes. A lei tem que nos proteger”, reivindica Mariana Nogueira, 23 anos, acompanhada por sua namorada Verônica Schue, de 26.

A passeata percorreu a orla do Posto 6 ao Posto 2, o que não faltou foi alegria e descontração. Não só homossexuais estiveram presentes, como simpatizantes da causa, famílias inteiras, idosos e crianças. O que mostra a aceitação pela sociedade não é apenas um sonho.

Categorias: Texto por Karen Eluani

“Casa” um filme em construção

Novembro 29, 2007 · Deixe um comentário

Alice Ferreira, Lívia Silva e Ricardo Pereira são alunos do terceiro período de cinema da Uff. Eles pretendem esse ano filmar um curta em Copacabana. É claro que o bairro já foi cenário e personagem em incontáveis filmes, seja curtas ou longas. Mas a peculiaridade do filme, “Casa”, está nos personagens e a relação distinta que cada um estabelece com o local onde vive: Copacabana.

Blog: Como que é a história do filme?

Alice: São dez personagens, não por acaso as iniciais de cada um formam a palavra Copacabana. E cada um tem uma história, uma vida, uma rotina, mas cada um distintamente estabelece uma relação com o bairro de Copacabana, local onde moram.

Blog: Você pode dizer os nomes dos personagens?

Alice: Posso. Vou falar na ordem que aparecem. Carolina, vendedora de mate na praia. Otaviana, a velhinha. Patrícia, a patricinha. Antonio, o malandro. Carlito, o travesti. Andréia, a prostituta. Bruno, o adolescente romântico. Álvaro o dono do bar. Nelson, o dono do albergue. E Agatha, a criança.

Blog: Você poderia dar exemplos dessas relações?

Alice: Tem a menina, Patricia, que é rica mora de frente para a praia, mas o grande desejo dela é morar em Ipanema. O tempo todo ela vive esse conflito, mente e diz que mora na Vieira Souto e por ai vai. Por outro lado, existe Bruno, também um adolescente que acaba de se mudar para Copacabana e adora, fica empolgado com tudo que o bairro oferece. Tem também a prostituta Andréia e o travesti Carlito, eles não se conhecem, mas ambos fazem programa e moram em Copa. A relação com bairro é conflituosa. E muito outros.

Blog: Qual a justificativa da escolha do bairro?

Alice: A justificativa é bem simples Copacabana é um bairro de múltiplas personalidades. Lá é possível encontrar sentadas na mesma mesa de bar pessoas de diversos tipos, idade, sexo, profissão e etc. E foi por essas múltiplas faces que escolhemos o bairro como cenário e personagem principal.

Blog: O que você acredita que é o diferente desse curta?

Alice: Não sei se é muito diferente, mas ele é especial porque mostra as relações mais variadas não entre pessoas como estamos habituados e sim entre o indivíduo e seu lar. No curta o sentimento de pertencimento está em questão o tempo todo.

Blog: Qual a personagem que você mais se apegou?

Alice: É difícil dizer, mas eu gosto muito da senhora viúva que faz mil e uma atividades só para não voltar pra casa e se sentir sozinha. Também gosto do dono do albergue que faz caras e bocas para atender os gringos.

Blog: O curta aborda questões da realidade bairro, como terceira idade, turismo, prostituição, drogas, praia entre outras. Como isso é feito?

Alice: Isso é expresso em cada personagem. E como o bairro acaba virando o décimo primeiro personagem, ele reúne todas essas características de maneira critica. Afinal nem tudo é bossa de Tom Jobim em Copacabana. Apesar do cantor ser reverenciado no curta no personagem de Antonio.

Blog: Qual a previsão de estréia?

Alice: É complicado porque nem começamos a filmar. Mas acredito que pro meio do ano que vem as pessoas vão poder ver o nosso curta nas telonas.

Categorias: Texto por Joana Medina

Um Bob de Copa

Novembro 23, 2007 · Deixe um comentário

O nome é Milton Antunes, mas entre os amigos é conhecido por Bob, a barba por fazer e os longos dreads no cabelo justificam o apelido inspirado no cantor Bob Marley

Morador do Vidigal, há cinco anos ficou desempregado e resolveu se dedicar ao artesanato. Ele e a mulher, Ana Alice, investiram todas as economias em peças e começaram a criar brincos, colares e pulseiras.

No primeiro dia, nervoso, foi andando de sua casa até a praia de Copacabana e lá expôs a mercadoria na canga. Em cerca de duas horas tinha vendido tudo. A partir desse dia, Bob faz o mesmo trajeto a pé, até o mesmo ponto, em frente ao Copacabana Palace. Ele garante que o dia que mudou de lugar vendeu menos. A escolha pelo local de venda foi ao acaso, mas Bob afirma que Copacabana é o melhor bairro, porque as pessoas têm dinheiro e gostam dos seus artesanatos.

Pai de três filhos, Ana de 12, Richard de dez e Alice de três, se diferencia pela simpatia e bons conselhos sobre como manter os dreads – tranças feitas com cola. Não demora muito e duas holandesas de bochechas rosadas aparecem para olhar suas mercadorias. E mesmo sem falar um “the book is on the table”, Bob vende quatro pares de brincos e três colares.

O tempo é consultado diariamente através da televisão de 14 polegadas e, se não chove, lá está Bob de 10h às 18h com seu sorriso e bom humor. É claro que às vezes é preciso juntar tudo e sair correndo, seja pela chuva repentina ou pelos policiais, que segundo Bob poderiam ser mais respeitosos. Homem de trinta anos, Milton Antunes acredita que a desigualdade é o grande mal da modernidade. Ele, que nem ensino médio tem, vê a educação como solução do mundo.

Bob conta que um dia, sábado, estava na praia com seus três filhos e a esposa – afinal, fim de semana é dia de toda a família ajudar nas vendas – e de repente precisou sair correndo por causa dos policiais. Alice, que na época tinha dois anos, acabou dentro da sacola com as bijuterias. Após toda a confusão, a procura pela menina durou um certo tempo, até que ela se sacudiu dentro da grande mala. A história que hoje é contada aos risos foi motivo de desespero na época.

Bob mais um vendedor ambulante entre os 200 mil espalhados pelo Rio de Janeiro, apenas tentando sobreviver e ganhar seu dinheiro. A diferença é que faz isso no meio dos idosos, dos gringos, dos jovens bem ali no mar de ondas do calçadão em Copacabana.

Categorias: Texto por Joana Medina

“Não seria tão feliz senão estivesse em Copacabana”

Novembro 23, 2007 · Deixe um comentário

Dona Amélia, 85 anos, é mãe de sete filhas e avó de 15 netas. Morou na Tijuca, na rua Conde de Bonfim nº590 a vida toda, mas há cinco anos resolveu realizar um antigo sonho e recomeçar a vida em uma das 82.239 residências de Copacabana. Moradora do número 365 da rua Santa Clara, depois de ficar viúva Dona Amélia juntou-se aos 37 mil idosos do bairro, que correspondem a 25% do total de moradores de Copacabana. “Eu passeio e me ocupo o tempo todo”, conta ela nessa entrevista.

Blog: Porque se mudar para Copacabana?

Amélia : Na verdade eu sempre quis morar em Copacabana. Na minha adolescência Copacabana era o máximo, tudo que acontecia na cidade, acontecia em Copacabana. Mas eu casei e meu marido não gostava porque dizia que era lugar de vida fácil. Agora ele morreu e minhas filhas me convenceram de realizar esse antigo sonho. E eu estou gostando.

Blog: O que a senhora acha que mudou da Copacabana da sua adolescência para a Copacabana de hoje?

Amélia: A violência, antigamente não era tão violento. É mais cheio também. Mas continua sendo um lugar maravilhoso, com vida diurna e noturna para todas as idades.

Blog: O que a senhora mais gosta em Copacabana?

Amélia: Bom, isso é difícil. Eu gosto de tudo. Do clima, da brisa, dos vizinhos, das amigas, dos jovens, da praia. Eu passeio e me ocupo o tempo todo. Não paro (risos).

Blog: A senhora acha que a prostituição prejudica a vida dos moradores?

Amélia: As mocinhas estão fazendo o trabalho delas. Quem sou eu para dar palpite.

Blog: E a questão dos moradores de rua?

Amélia: É um problema porque tem muitos assaltos, mas eles não me incomodam não. O problema é que as pessoas querem esconder aquilo que incomoda a elas, ao invés de tentar resolver. Só porque Copacabana é um dos cartões postais do Rio não significa que não tenha problemas a serem resolvidos.

Blog: O que é diferente aqui em Copacabana?

Amélia: Pra começar tem praia. (risos). Todo dia eu acordo 6h tomo café da manhã, e saio, vou caminhar na praia. E ando, ando, às vezes até encontro uns famosos. (risos) Quando que na Tijuca isso acontecia? Também eu tinha aquela filharada toda, era difícil ter tempo pra mim. Aqui eu saio despreocupada, encontro minhas amigas e ocupo a mente, senão a gente fica maluca (risos).

Blog: O que mudou na sua rotina nesses cinco anos?

Amélia: Bom, hoje em dia eu faço ginástica, participo de grupos de receitas. Já fiz curso de culinária, maquiagem, costura, pintura, tudo para terceira idade e aqui em Copacabana. Fiz novas amizades que me ajudaram a me recuperar da morte do meu marido.

Blog: Copacabana é conhecida como a capital da terceira idade, a senhora concorda?

Amélia: Bom se é da terceira não sei, mas serve muito bem a mim que já estou na quarta. (risos). Eu não seria tão feliz nesses últimos anos senão estivesse em Copacabana, isso eu tenho certeza.

Categorias: Texto por Joana Medina

A Bossa e a Copa

Novembro 23, 2007 · Deixe um comentário

Apesar de a garota ser de Ipanema, foi em Copacabana que tudo começou. Fruto de freqüentes encontros no apartamento de Nara Leão, na Avenida Atlântica em Copacabana, o grupo, do qual participavam Billy Blanco, Carlos Lyra, Roberto Menescal, Sérgio Ricardo, João Gilberto, Ronaldo Bôscoli, entre outros, se reunia para cantar, criar e ouvir músicas. E assim, em 1958, surgiu o movimento da Bossa Nova.

Nomes como Tom Jobim, Vinícius de Moraes, João Gilberto, Nara Leão, e as músicas Chega de Saudade, Bim Bom, Garota de Ipanema e Desafinado entraram para a história do mundo, da cidade e de Copacabana.

Depois do Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan) declarar o samba carioca como Patrimônio Cultural do Brasil, esse ano, foi a vez da prefeitura do Rio premiar a cidade com a Bossa Nova. Além de um famoso repertório, na última terça-feira, 16 de outubro, o gênero musical se tornou oficialmente Patrimônio Cultural da cidade do Rio de Janeiro.

No bairro, entre os edifícios de números 21 e 37, na rua Duvivier, um certo conjunto de casas noturnas conhecido como o Beco das Garrafas era o palco dos cantores da Bossa Nova. Inauguradas na década de 1950, as casas do Beco viveram seus dias de glória entre os anos de 1958 e 1965, época essa que ficou conhecido como “Templo da Bossa Nova”. Teve a honra de receber muitos músicos, entre eles: Sergio Mendes, Luiz Eça, Luís Carlos Vinhas, Nara Leão, Elis Regina e Jorge Ben.

O nome, “Beco das Garrafas”, foi dado por Sérgio Porto devido às garrafas arremessadas pelos moradores vizinhos que reclamavam do barulho. Hoje em dia o lugar possui algumas lojinhas e prestadores de serviços. Mas para dona Arlinda Pinto ele é muito mais que isso, é um local de trazer a tona suas lembranças de grandes noites vividas ali.

Nascida e criada em Copacabana, a senhora de 72 anos consegue reviver com saudades as noites que passava no Beco. “O clima era ótimo, todos dançavam, cantavam muito, uma verdadeira boemia”, conta Arlinda. Moça de família, como ela mesma faz questão de enfatizar, confessa que, para ir ao Beco ver os meninos da bossa, valia a pena dar umas escapadas. “Papai não entendia, achava que era coisa de moça perdida, mas eu ia escondida, falava que ia estudar com umas amigas e lá ia eu.”

            Para Arlinda o movimento tem a cara de Copacabana, não só por ser o berço da bossa, mas também por ter o gingado das composições. “É impossível falar de Bossa e não falar de Copacabana, o lindo calçadão é cenário para todas as músicas.”, diz.

            Em relação aos dias de hoje a saudosa senhora termina fazendo uma brincadeira com a música de Tom Jobim, Chega de Saudade.

            -  Mas se ela voltar, se ela voltar, que coisa linda, que coisa louca.

Categorias: Texto por Joana Medina