Na areia da praia, um telão, no lugar de poltronas, cadeiras e banquinhos. O nome disso, cinema na areia. Em frente ao hotel Copacabana Palace, a praia vira um cinema ao ar livre essa época, quando acontece o Festival do Rio. Desde quando surgiu, em 1999, é um sucesso. Esse ano, o evento reúne 400 filmes de diversos países e é exibido por 25 cinemas da cidade. Copacabana não poderia ficar de fora.
A iniciativa é um sucesso. Na sexta-feira, dia 21, às 19h, os documentários Onde a coruja dorme, de Márcia Derrik e Simplício Neto, e Edu Lobo – Vento brabo, de Regina Zappa e Beatriz Thielman, abriram o festival na praia.
O fato de ser de graça facilita para muitos. Carla Silva, moradora de Madureira, mãe de três filhos, investiu R$ 12,00 em passagem de ônibus para ir ao cinema de graça. “Se eu fosse ao cinema ia gastar uma fortuna, afinal são três crianças”, diz a espectadora que levou a família toda para Copacabana. Quem acha que economia é o motivo principal e, por isso, a maioria do público é de baixa renda, está muito enganado. O cinema de areia não tem idade, sexo, muito menos classe social. Dona Maria Linhares, de 78 anos, moradora da Viera Souto, em Ipanema, estava lá para comprovar. “Eu venho todo ano e enquanto estiver viva continuarei vindo, é um espetáculo”. Carla e dona Maria vivem realidades completamente diferentes, mas nessa época dividem a areia lado a lado para apreciar a arte.
O cinema na areia já virou tradição para Ana Cunha, 20 anos: “Venho sempre, adoro. É muito gostoso assistir filme na areia, o som das ondas no fundo, é ótimo”. Estudante do 4º período de cinema da UFF, otimista, Ana acredita que essa é uma boa forma de controlar a pirataria dos filmes:
- A partir do momento que você exibe os filmes, na praia e de graça, para que as pessoas vão comprar o pirata? Preciso pensar no meu futuro, não posso me convencer que a indústria do cinema vai acabar. É a minha geração que precisa encontrar a solução.
A esperança de Ana e dos futuros cineastas é o sucesso de público. Só no primeiro dia havia mais de 200 pessoas na areia, segundo cálculo da Polícia Militar.
Mas não é só de tradição que sobrevive o festival. Ulisses Faria, de 7 anos, vive o seu primeiro. Encantado com o enorme telão no meio da areia, ele sai de lá fazendo planos para seu futuro:
- Quero fazer filme, assim para um montão de gente, sonha o menino.