Um bom lugar para encontrar ..

Entradas do Setembro 2007

Cinema na Areia

Setembro 27, 2007 · Deixe um comentário

Na areia da praia, um telão, no lugar de poltronas, cadeiras e banquinhos. O nome disso, cinema na areia. Em frente ao hotel Copacabana Palace, a praia vira um cinema ao ar livre essa época, quando acontece o Festival do Rio. Desde quando surgiu, em 1999, é um sucesso. Esse ano, o evento reúne 400 filmes de diversos países e é exibido por 25 cinemas da cidade. Copacabana não poderia ficar de fora.

A iniciativa é um sucesso. Na sexta-feira, dia 21, às 19h, os documentários Onde a coruja dorme, de Márcia Derrik e Simplício Neto, e Edu Lobo – Vento brabo, de Regina Zappa e Beatriz Thielman, abriram o festival na praia.

O fato de ser de graça facilita para muitos. Carla Silva, moradora de Madureira, mãe de três filhos, investiu R$ 12,00 em passagem de ônibus para ir ao cinema de graça. “Se eu fosse ao cinema ia gastar uma fortuna, afinal são três crianças”, diz a espectadora que levou a família toda para Copacabana. Quem acha que economia é o motivo principal e, por isso, a maioria do público é de baixa renda, está muito enganado. O cinema de areia não tem idade, sexo, muito menos classe social. Dona Maria Linhares, de 78 anos, moradora da Viera Souto, em Ipanema, estava lá para comprovar. “Eu venho todo ano e enquanto estiver viva continuarei vindo, é um espetáculo”. Carla e dona Maria vivem realidades completamente diferentes, mas nessa época dividem a areia lado a lado para apreciar a arte.

O cinema na areia já virou tradição para Ana Cunha, 20 anos: “Venho sempre, adoro. É muito gostoso assistir filme na areia, o som das ondas no fundo, é ótimo”. Estudante do 4º período de cinema da UFF, otimista, Ana acredita que essa é uma boa forma de controlar a pirataria dos filmes:

- A partir do momento que você exibe os filmes, na praia e de graça, para que as pessoas vão comprar o pirata? Preciso pensar no meu futuro, não posso me convencer que a indústria do cinema vai acabar. É a minha geração que precisa encontrar a solução.

A esperança de Ana e dos futuros cineastas é o sucesso de público. Só no primeiro dia havia mais de 200 pessoas na areia, segundo cálculo da Polícia Militar.

Mas não é só de tradição que sobrevive o festival. Ulisses Faria, de 7 anos, vive o seu primeiro. Encantado com o enorme telão no meio da areia, ele sai de lá fazendo planos para seu futuro:

- Quero fazer filme, assim para um montão de gente, sonha o menino.

Categorias: Texto por Joana Medina

Sex Shops em Copacabana

Setembro 27, 2007 · Deixe um comentário

Andando pelos 784 metros quadrados do bairro de Copacabana passamos por todo o tipo de comércio: restaurantes, locadoras, farmácias e… sex shops. Isso mesmo, quem nunca notou a quantidade de lojas voltadas para o sexo que existem no bairro?

Em um bairro que conta com aproximadamente 15 casas noturnas, 8 casas de massagem e termas, os mais de 10 sex shops não causa estranhamento nos moradores.

Desde a prostituição, passando pela vida noturna em boates GLS e underground, até projetos para fazer uma “cidade do sexo” em plena Princesa Isabel, Copacabana é um bairro onde o sexo é tratado de maneira diferente. “A prostituição eu acho que atrapalha a vida de quem mora aqui, mas os sex shops não estão relacionados com isso. São apenas lugares para compras íntimas. É divertido”, diz a moradora Antônia Araújo, de 54 anos.

O sex shop A2, com filiais em Ipanema, Barra e Copacabana, é um dos mais conhecidos. Sua localização não é tão discreta, fica na rua Figueiredo de Magalhães (em Ipanema, bem na Visconde de Pirajá) e atrai um bom público, já fiel à loja. “Me sinto mais à vontade vindo aqui no de Copa, em Ipanema as pessoas olham torto”, diz a estudante Marcela Dias, 20 anos, que faz visitas esporádicas ao sex shop. “Eu entro meio escondida, e sempre com minhas amigas, sozinha não dá”.

Já Daniel Gomes não se preocupa com a discrição. “Não tenho essa de vergonha não, sexo todo mundo faz. Venho sempre aqui no A2, que é o que eu mais gosto, mas vou também no que tiver mais perto”.

Ana Paula Capelão, gerente do sex shop Site G, explica por que escolheram Copacabana para abrir a primeira loja: “Começamos com um site, que existe até hoje, e decidimos abrir uma loja em Copacabana, pois a vida noturna é intensa, há muitas boates e o nosso público está aqui. Além de ser o bairro mais famoso do Rio”. Situada na rua Santa Clara, a loja Site G está longe de ser a única nos arredores. “Só aqui por perto tem uns seis. O nosso fica escondidinho, é mais discreto para as pessoas entrarem.”

Ana Paula afirma que o público freqüentador é igualmente de homens e mulheres, em sua maioria jovens. “Nós já temos um público cativo, mas também tem quem entra só pra olhar, dá logo pra perceber que é a primeira vez.”. Sobre a vergonha das pessoas ela responde: “Deixamos o cliente à vontade, e esclarecemos qualquer dúvida sobre os produtos.”

A Site G tem aproximadamente 1.888 produtos, dos mais diversos tipos: de dvds e vibradores a fantasias e gel estimulante. “A gente vende de tudo aqui, e tenta manter sempre uma descontração e naturalidade. Afinal, pra quem trabalha com sexo o dia todo, não há nada mais natural.”

Categorias: Texto por Karen Eluani

Stone Of A Beach

Setembro 17, 2007 · Deixe um comentário

Se você fosse turista e estivesse visitando o Rio pela primeira vez, onde iria se hospedar? Se fosse jovem, gostasse de sair e ir além do bê-a-bá dos pontos turísticos? E além de conhecer a cidade maravilhosa, quisesse fazer amigos pra vida toda, brasileiros ou de qualquer outro lugar no mundo? Haveria algo melhor nos seus planos do que se instalar em um albergue em Copacabana?

O Stone of a Beach é mais do que um lugar para guardar as malas e passar as noites. É um ponto de encontro dos jovens aventureiros do mundo todo, bem ali, pertinho de uma das praias mais lindas do Brasil.

Há mais ou menos um ano e meio, Michele Dias, 27 anos, e seu marido fundaram o albergue. Ela já trabalhava na área de hotelaria, mas resolveu abrir seu próprio negócio. Escolheu Copacabana, pois é o bairro mais famoso entre os turistas, sendo assim o mais atrativo.

Somando a recepção, as faxineiras e os gerentes, o albergue conta com mais ou menos 20 funcionários, que dizem que o trabalho lá é pura diversão: “Aqui a gente aprende muita coisa, outras culturas de todos os lugares, tanto do Brasil quando de fora, tem gente que vem de lugar que a gente nunca tinha ouvido falar!” diz Marcelo Ribeiro, o recepcionista que trabalha 8 horas por dia atendendo os 20 hóspedes que circulam pelo local.
Os jovens costumam ficar hospedados lá por uma ou duas semanas e às vezes gostam tanto do Rio (ou de Copacabana) que cancelam o resto da viagem reservado para outros lugares e ficam no Stone of a Beach até o fim da temporada. “O Rio tem uma imagem ruim lá fora, então quando os turistas vêm para cá e vêem que não é bem assim, eles querem ficar mais tempo e saem daqui chorando, sem querer ir embora!”, completa Marcelo.

Quando perguntada sobre o turismo sexual no Rio, Michele respondeu: “O nosso público não gosta não, ele até repele. Os turistas que vêm procurar esse tipo de coisa no Brasil não são dessa faixa etária.”.

No Stone of a Beach não falta o que fazer. Além da própria cidade à volta, pontos turísticos e a praia de Ipanema – a preferida entre os visitantes – o próprio albergue tem uma infra-estrutura própria de entretenimento, com piscina, churrasqueira, sala de TV e o bar Clandestino, que pertence ao albergue mas é aberto ao público. Os hóspedes do albergue ficam livres da taxa de R$5 de consumação. A diária varia de R$30 a R$39, com internet e café da manhã incluídos, e quartos que acomodam entre 6 e 18 pessoas. O próprio albergue faz festas de chegada e despedida, como churrascos e eventos no barco.Há por volta de 10 albergues em Copacabana, o que não falta é opção.

Se hospedar em um deles pode ser uma experiência enriquecedora e muito mais divertida. Os hóspedes do Stone of a Beach sempre acabam voltando, e o Rio vai ganhando novos fãs. Uma casa de pedra bem na Rua Barata Ribeiro não podia ser algo comum.

Categorias: Texto por Karen Eluani

Copacabana, o lar da Terceira Idade

Setembro 13, 2007 · Deixe um comentário

A cidade do Rio de Janeiro, conhecida mundialmente pelas suas belezas naturais, recebe uma nova característica: a capital brasileira preferida das pessoas da Terceira Idade. Cerca de 13% da população tem mais de 60 anos. E Copacabana é o local carioca com a maior concentração de moradores nesta faixa etária: os índices ultrapassam 25%, segundo dados do Instituto Pereira Passos. Com esses números, o bairro se tornou base de muitos estudos nacionais e internacionais para a melhoria da condição de vida dos idosos na metrópole.

Ao andar por Copacabana é possível perceber o impacto que esses 25% da população causa. As transformações englobam todos os aspectos do bairro, principalmente no comércio. Os funcionários do salão de beleza Werner Coiffeur afirmam que são treinados de maneira diferente para atender o estabelecimento de Copacabana. “Somos avisados de que é preciso ter mais paciência por causa da quantidade de velhinhas e certamente tem que ter muito mais esmalte “rosinha”, que elas adoram”, diz a manicura Isabel Santos.

O número de farmácias, casas de saúde e consultórios médicos aumentaram. Algumas farmácias, devido à enorme concorrência, adotam como diferencial desde descontos em remédios à organização de passeios culturais. “Eu adoro, sempre participo com minha amigas. Já fomos ao Cristo Redentor, ao show da Maria Bethânia e muitos outros”, comenta dona Rosa Machado, 75 anos, moradora do bairro há 50.  

O surgimento de atividades voltadas para pessoas acima de 60 anos também é crescente. O bairro tem associações da Terceira Idade, grupos de encontros, yoga, aulas de danças, ginásticas, cursos de corte e costura, tudo para atrair e tornar a vida do idoso mais agradável. 

 No entanto, essas transformações são posteriores ao grande número de idosos residentes. A questão então é saber como chegamos a esse percentual tão elevado. Isso pode ser respondido com uma breve análise na história. Na década de 1950, início de 1960, não era possível falar de Rio de Janeiro sem mencionar Copacabana. O bairro tinha as principais boates, as inesquecíveis festas no Copacabana Palace, a bossa nova e outros inúmeros fatores que chamavam atenção da juventude. E são esses jovens os idosos de hoje, que, em sua grande maioria, nunca saíram de Copacabana. 

Rosa foi uma dessas jovens. “Eu morava na Tijuca com meus pais, mas amava Copacabana. Os bailes, a praia, as músicas, os artistas, tudo era mágico. Então quando eu casei tratei logo de me mudar para cá. E daqui eu não saio nem por um decreto”.  

Categorias: Texto por Joana Medina